Stanford: EUA dependem de talentos estrangeiros em STEM

Relatório de Stanford: os EUA dependem de talentos estrangeiros em ciência e tecnologia — arte com a torre Hoover e o campus da Universidade Stanford

Relatório de Stanford: os EUA dependem de talentos estrangeiros em ciência e tecnologia

Os Estados Unidos continuam liderando a ciência e a tecnologia no mundo, mas dependem cada vez mais de profissionais formados ou nascidos fora do país para isso. É o que mostra o 2026 US Talent Report, publicado em 28 de setembro de 2026 pelo Instituto de Inteligência Artificial Centrada no Humano da Universidade Stanford (Stanford HAI), em parceria com a Hoover Institution.

Neste artigo, explicamos o que o relatório encontrou, como outros países estão disputando os mesmos profissionais e o que isso significa para cientistas, pesquisadores e profissionais de tecnologia brasileiros.

O que o relatório de Stanford encontrou

O estudo, assinado por Emerson Johnston e Amy Zegart, compara a formação de profissionais de STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) nos EUA com a de outros países.

IndicadorResultado
Mestrados em STEM concluídos por estudantes internacionaisMais da metade
Doutorados de pesquisa em STEM concluídos por estudantes internacionaisMais de um terço
Estudantes que entram na faculdade para cursar STEM e se formam na áreaCerca de 4 em cada 10
Posição dos EUA no ranking mundial de matemática34º lugar
Novos doutores internacionais que planejam ficar nos EUA75,8%
Doutores internacionais em STEM ainda nos EUA após 10 anos67,8%

O relatório também aponta que os profissionais formados no exterior são a maioria dos pesquisadores de pós-doutorado em vários campos de STEM e fundaram ou cofundaram uma parte importante das principais empresas americanas de inteligência artificial.

A disputa com a China

Os autores mostram que os EUA estão perdendo espaço na pesquisa de ponta:

  • A participação americana nas publicações mais citadas sobre tecnologias emergentes caiu de 14,2% para 8,4% em dez anos. A da China subiu de 11,5% para 20,8%.
  • Empresas e pesquisadores chineses registram cerca de três vezes mais patentes em tecnologia da computação que os americanos, e o dobro em biotecnologia e semicondutores.

Para os autores, as regras de imigração criadas para outra época precisam mudar. Eles citam, por exemplo, os limites por país definidos em 1965, que fazem o local de nascimento pesar muito no tempo de espera pelo green card.

Outros países também querem esses profissionais

Os EUA não estão sozinhos na busca por talentos. Em 16/10/2026, o Canadá anunciou que, a partir de 3 de novembro, vai dar pontos extras no seu sistema de imigração para profissionais de ocupações de alto salário, como engenharia, saúde, tecnologia e educação. Também vai dispensar uma etapa de aprovação do governo para as ofertas de emprego nessas áreas.

Para os EUA, a mensagem é clara: quem não atrair e reter esses profissionais vai perdê-los para outro país.

O que isso significa para profissionais brasileiros

Quando um país precisa de profissionais estrangeiros para manter a liderança em ciência e tecnologia, o trabalho desses profissionais passa a ser uma questão de interesse nacional. É exatamente essa a lógica do EB-2 NIW (National Interest Waiver).

No NIW, o próprio profissional faz o pedido de green card, sem precisar de um empregador patrocinador. Ele precisa demonstrar ao USCIS que:

  • o seu trabalho tem mérito substancial e importância nacional para os EUA;
  • ele está bem posicionado para levar esse trabalho adiante;
  • é benéfico para os EUA dispensar a exigência de oferta de emprego.

Também é preciso se qualificar para o EB-2: mestrado ou doutorado, graduação com pelo menos 5 anos de experiência progressiva, ou habilidade excepcional.

Quais perfis costumam se encaixar

  • pesquisadores e cientistas com publicações, patentes ou projetos aplicados;
  • profissionais de tecnologia em áreas como inteligência artificial, dados, cibersegurança e computação em nuvem;
  • engenheiros em áreas estratégicas, como energia, infraestrutura e semicondutores;
  • empreendedores de base tecnológica com um plano de negócio de impacto nos EUA.

Ter o perfil não basta: é preciso comprovar, com documentos, o impacto do trabalho e o plano para os EUA. Por isso, a análise individual vem antes de qualquer decisão.

Perguntas frequentes

O que diz o relatório de Stanford de 2026?

Que estudantes internacionais concluem mais da metade dos mestrados e mais de um terço dos doutorados em STEM nos EUA, e que o país perde espaço para a China na pesquisa de ponta.

Preciso de doutorado para pedir o EB-2 NIW?

Não. O EB-2 aceita mestrado, doutorado, graduação com pelo menos 5 anos de experiência progressiva ou habilidade excepcional. O que pesa é a importância nacional do trabalho e a capacidade de realizá-lo.

Profissional de tecnologia sem publicações acadêmicas pode pedir o NIW?

Pode. Resultados de projetos, liderança técnica, patentes, produtos lançados e reconhecimento no mercado também servem como prova. Cada caso precisa de análise individual.

O EB-2 NIW depende de oferta de emprego?

Não. O próprio profissional faz o pedido, sem empregador patrocinador.

Você trabalha com ciência, tecnologia ou engenharia e quer saber se o seu perfil se enquadra no EB-2 NIW? Fale com um especialista da All Green Consulting.

Conhecer o EB-2 NIW

Conteúdo informativo; não substitui a análise individual do seu caso. Informações atualizadas em 19/10/2026. As regras de imigração podem mudar; confira a situação atual antes de qualquer decisão.

Fontes: Stanford HAI, 2026 US Talent Report, 28/09/2026 · Governo do Canadá, 16/10/2026

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